Faz mais ou menos duas semanas que não posto aqui decentemente.
Depois de todos os feriados, prova do espanhol, complicações no banco, viagens e tudo mais, hoje resolvi colocar tudo em dia.
Viagens, no plural, porque depois de Montevidéu ainda tive que passar quase uma semana em Caxias do Sul. E lá no hotel não tinha um computador com internet para quem quisesse usar, tinha apenas um ponto de internet banda larga em cada quarto.
Muito fino. E que não servia para um pobre mortal sem laptop como eu (algo raro, hoje em dia, no muno corporativo). Mas tudo bem. Vamos ao que interessa.
Montevidéu é o primeiro update de uma série.
Como eu já tinha adiantado, a cidade é maravilhosa. Mas não é para muitas pessoas: aqueles que gostam de cidades antigas, que pararam no tempo (como eu) é que vão gostar mais. Não há muita badalação em MVD (até por que gente jovem, por lá, é raridade) e também não há muitos bares, baladas, praias movimentadas. O que se tem para ver e fazer é andar, conhecer, apreciar. Eu adorei e recomendo.
Até porque é uma viagem bastante barata, não deu mais de R$ 1.300 o pacote completo (passagem, hotel, refeições, táxi e algumas compras). Muito melhor e mais barato do que ir para o Nordeste (o que eu acho bastante sem graça. Praia brasileira não é o que mais me agrada).
Não há nada como conhecer outra cultura. O meu roteiro para MVD foi o de conhecer a 18 de Julio e arredores, a Av. del Libertador e arredores (até o Palácio Legislativo), a zona do Porto, Ciudad Vieja, Pocitos, todas as ramblas, Punta Carretas até o Shopping Tres Cruces e, por último, o Cerro (que é de onde se tem a vista completa da cidade).
Coitada da Renata, fiquei com pena dela. Eu, que ando que nem um condenado toda vez que viajo, fui um problema. Não é todo mundo que agüenta ficar andando 8, 9 horas por dia, com uma hora de intervalo. No segundo dia, teve uma hora em que ela virou para mim e soltou:
- Ando até as 17:30. Depois disso, não importa se estamos indo para o lado certo ou não, eu pego um táxi!!
Nossa sorte foi que chegamos ao lugar que queríamos às 17:35. E o céu, que estava nublado naquele sábado, até se abriu. O sol brilhou forte e caímos na risada.
Sem contar que eu parecia um turista japonês. Tirei quase 300 fotos em dois dias e meio. Tudo que se movia eu fotografava, todas as ruas, quase todos os prédios, as pessoas, os carros, tudo. Maldita máquina digital com um cartão de memória quase ilimitado. Depois, para a família ver as fotos, é um suplício de demorado.
Também acabei indo para a balada gay de lá, um lugar chamado Caimdance.
Que é horroroso, devo frisar.
Música esquisita, pista medonha (só faltava ter uma samambaia pendurada no teto) e um povo meio fora do padrão. Quando entrei, me arrependi: deveria ter ficado no hotel, dormindo e me recuperando de um dia inteiro andando.
Mas acabei pensando o que sempre penso: já que saí naquele frio (estava uns 10º), me arrumei todo, fui andando até o lugar (deu uns 20 minutos de caminhada) e paguei os 100 pesos uruguaios para entrar (R$ 10), alguma coisa tinha que acontecer.
Eis que, decidido que eu ficaria, eu fui para o fundo do bar, sentei em um palco que tinha por lá, cruzei as pernas e fiquei vendo o povo entrando e saindo. Naquela hora (00:30) a pista ainda não estava aberta.
Sentado, percebi que um cara ao meu lado começou a me olhar. Eu, que não deixo passar nada, comecei a fazer aqueles movimentos ridículos que a gente faz quando quer olhar sem olhar para o cara que está te olhando: passava a mão no cabelo e virava a cabeça para a esquerda, arrumava 500 vezes a manga da minha camisa, virava apara a esquerda para olhar um cartaz que estava fixado acima da cabeça dele etc etc etc.
Deu resultado: ele puxou conversa comigo, nos apresentamos e ficamos conversando por uma hora e meia, mais ou menos.
Conversa essa deveras interessante, devo acrescentar.
O nome dele era Davi. El tinha 25 anos e estava em MVD fazia dois meses, recém-chegado de Tel-Aviv (sim, ele era judeu). Tinha voltado para estudar economia e morava com seus pais. Sua irmã morava em São Paulo.
Depois de tanto conversarmos, acabamos ficando. E foi bom. Quanto a ele, não era nada de especial fisicamente. Era o que escreveu a Danuza Leão: "...Era um homem. Nem velho, nem novo, nem feio nem bonito: um homem".
Eu tinha me encantado era pela conversa dele, mesmo.
Depois de ficarmos um bom tempo no palco em que estávamos, fomos para a pista de dança, eu com uma garrafa de cerveja na mão.
E quando eu falo em garrafa, era uma garrafa de UM LITRO de cerveja. Sim, a cerveja lá era vendida em garrafa e vinha acompanhada de dois copos (ou um, se você estivesse sozinho).
Lá estava eu, na pista, com uma aquilo nas mãos achando que era uma long-neck. Bizarro, mas divertido.
Começamos a dançar e a coisa foi esquentando. Depois de quase dois litros de cerveja na cabeça, eu já não estava mais dentro das minhas condições normais de temperatura e prssão (vulga CNTP) e percebi que os dois estavam ficando bastante animados.
Sem hesitar propus a ele de irmos para outro lugar. Ele achou ótimo e saímos de lá quase correndo, para um hotel/motel perto dali que ele conhecia e que ficava bem próximo do meu hotel.
No caminho, fomos nos beijando como loucos. Um comportamento bem comum para uma cidade pequena, católica e conservadora como Montevidéu.
Chegando lá, tivemos que esperar por meia hora para que o quarto ficasse pronto. E eu, que não tenho muita noção, comecei a confratenizar com todos os transeuntes do local. Acho que devo ter conversado com umas cinco prostitutas. Ou mais.
Enquanto esperávamos, continuamos a ficar, também. A uma certa altura, já estava rezando para o cara nos chamar para o nosso quarto, por que eu já estava com minha roupa inteira desabotoad/aberta.
Quando a nossa hora chegou, entramos no quarto e fizemos o que tínhamos que fazer. Não foi ruim, foi bom, muito bom. Mas isso graças à empolgação dele, por que eu, às 5 da manhã, já estava quase parecendo um zumbi, de tanto sono que eu estava sentindo.
Passado o primeiro round, pedi que fôssemos embora, para que eu descansasse um pouco para amanhã. Ele ficou triste, mas aceitou. Tomamos banho, nos vestimos, conversamos mais um pouco e fomos embora.
Nos despedimos na esquina próxima, com ele subindo a rua, indo para o centro (onde morava) e eu descendo a rua, indo para o Íbis da La Cumparsita.
Naquele frio todo e com o sol já subindo, resolvi fumar o meu cigarro pós-sexo (que é clichê, mas é necessário) e, remexendo os meus bolsos atrás de um isqueiro, achei meu maço de dinheiro. Que me pareceu bem mais leve: estava faltando 200 pesos em relação ao que eu me lembrava da proporção levado/gasto.
Mas agora já era tarde para confirmar se eu tinha perdido o dinheiro ou se ele tinha sido perdido.
Uma zero para as recomendações de mamãe.
Mas pelo menos os R$ 20 reais valeram a pena para ter esta estória guardada.